O furão doméstico é o resultado de milhares de anos de convivência com o ser humano. De caçador habilidoso a amigo brincalhão, carrega consigo um legado biológico e cultural fascinante. Cuidar de um furão hoje é também respeitar essa herança — e assumir a responsabilidade de garantir uma vida longa, saudável e feliz a este curioso companheiro.
O furão doméstico (Mustela putorius furo) é um pequeno mamífero carnívoro da família dos Mustelídeos — a mesma dos texugos, lontras e doninhas. O seu nome científico, mustela putorius furo, significa pequeno ladrão malcheiroso, fazendo alusão ao cheiro característico que os furões têm - e que , na realidade, acontece em machos com o cio em situações de stress, em que o animal liberta líquido das glândulas peri-anais.
O antepassado selvagem: o toirão
O furão descende diretamente do toirão ou doninha-europeia (Mustela putorius). Ambos têm corpo comprido, patas curtas e focinho estreito. A diferença está na pelagem e, sobretudo, no comportamento: o furão doméstico é muito mais dócil. Estudos genéticos sugerem que a domesticação começou há cerca de 2 500 anos.
Em comparação com o toirão selvagem, o furão tem o crânio e o cérebro mais pequenos, além de ser muito mais social. Enquanto o toirão é solitário e reservado, tornando-se agressivo para pessoas, o furão adora brincar e viver em grupo.
Domesticação e ligações históricas
Os furões têm uma longa relação com os humanos, que começou há cerca de 4.000 anos na Mesopotâmia e na Europa, onde eram usados para caçar roedores e proteger mantimentos.
Há registos do uso de furões desde a Grécia Antiga. O dramaturgo Aristófanes (c. 450 a.C.) menciona o “furão doméstico” nas suas comédias, e Aristóteles (c. 350 a.C.) descreve um mustelídeo domesticável.
Mais tarde, os romanos aproveitaram o talento dos furões para controlar pragas de coelhos nas Ilhas Baleares. Durante a Idade Média, espalhou-se pela Europa a prática de colocar furões nas tocas de coelhos, enquanto os caçadores esperavam à saída, com redes ou espingardas,
Em Portugal: até há algumas décadas, na Beira Baixa, era hábito “tirar o chapéu ao coelho” quando este saía disparado da toca ao ser perseguido por um furão. O caçador levantava o chapéu, voltava a colocá-lo e só depois apontava a espingarda, para dar ao coelho uma hipótese de fuga – isto sim, poderia ser considerada caça desportiva.
Atualmente, Portugal é o único país da Europa com fortes restrições á utilização de furões na caça. Esta é estritamente regulamentada e deve ser realizada apenas em locais e períodos autorizados, por exemplo para o controlo de populações de coelho-bravo, sob a tutela das autoridades responsáveis pela gestão da caça.
Expansão, hibridação e impacto ambiental
Os furões são nativos da Europa e de parte da Ásia, mas não ocorrem naturalmente em todos os continentes.
Chegaram à América no século XVII, usados no Oeste dos EUA para proteger armazéns de grãos até à Segunda Guerra Mundial.
Na Nova Zelândia, no final do século XIX, foram introduzidos em massa para combater coelhos — mas depressa se tornaram eles próprios uma ameaça, ao hibridizarem com toirões e predarem espécies nativas. Ainda hoje, ecologistas alertam para os riscos do escape de furões domésticos para o meio natural.
A uma escala menor, o mesmo aconteceu nos Açores, embora , na ausência de toirões, o furão tenha-se espalhado enquanto espécie original, sendo mais arisco mais de forma alguma agressivo como o toirão. Não causaram impacto significativo na fauna local, e ainda hoje é possível encontrá-los a atravessar estradas, por exemplo.
O furão é totalmente proibido na Madeira, para proteção da floresta Laurissilva.
De caçador a pet
Foi apenas a partir dos séculos XVII e XVIII que começaram a ser criados dentro de casas. No século XIX, com o declínio da caça e a vida cada vez mais urbana, surgem como animais de companhia, com criadores a selecionar furões mais dóceis. O verdadeiro papel como pet começa no século XX, em que se tornam particularmente populares na Europa e Estados Unidos da América.
Hoje, existe até uma indústria dedicada: rações específicas, brinquedos e acessórios para manter os furões física e mentalmente ativos.
Seleção e características modernas
Como animal de estimação, o furão foi sendo selecionado para ser mais sociável, curioso e para apresentar uma enorme variedade de cores e padrões, a partir das três colorações base: sable, champanhe e albino. Todas as outras são suas derivadas, bem como os diversos padrões hoje existentes.
Nos anos 1980 surgiram no norte da Europa os primeiros furões de pelagem comprida, os angorá, que têm também um nariz característico. Quando o nariz é normal, chamam-se Long Haired. Os animais com sangue angorá costumam ser mais dóceis, mas mantendo a jovialidade dos furões comuns. O angorá é uma mutação, mas não uma raça diferente – continua a ser um furão.
Hoje, o furão é sem dúvida um dos animais de estimação mais acarinhados pela sua personalidade divertida e curiosa. Um companheiro encantador!
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