Como ajudar o seu furão a viver mais e melhor
Não podemos escolher a genética de todos os furões nem impedir todas as doenças. Também não conseguimos determinar quantos anos vai viver um determinado animal.
Mas podemos fazer muito para aumentar as probabilidades de ter uma vida longa e, sobretudo, uma vida com qualidade.
Uma alimentação adequada à espécie
O furão é um carnívoro estrito e tem necessidades nutricionais específicas.
A alimentação deve fornecer proteínas e gorduras de origem animal adequadas e ser baixa em hidratos de carbono. O sistema digestivo do furão é curto e a passagem dos alimentos pelo aparelho digestivo é rápida, pelo que necessita de ter acesso regular a alimento e água.
Uma alimentação inadequada durante anos pode contribuir para problemas de saúde e para uma condição corporal deficiente.
É importante ter especial cuidado com guloseimas açucaradas, alimentos ricos em hidratos de carbono e produtos que não foram formulados para as necessidades nutricionais dos furões.
Nem tudo aquilo que um furão gosta de comer é necessariamente bom para ele.
Água sempre disponível
Um furão deve ter sempre acesso a água limpa e fresca.
É importante verificar diariamente se o recipiente está limpo e se o animal consegue beber facilmente. Em casas com vários furões, disponibilizar mais do que um ponto de água pode ser uma boa medida para garantir o acesso de todos.
Medicina preventiva
Um dos maiores erros é levar o furão ao veterinário apenas quando ele está claramente doente.
Os furões conseguem esconder muito bem os primeiros sinais de doença. Quando finalmente percebemos que algo está errado, o problema pode já estar bastante avançado.
Consultas veterinárias regulares permitem acompanhar o peso, condição corporal, dentes, coração, pele, pelo e estado geral do animal e decidir, de acordo com a idade e a história clínica, que exames são necessários.
A partir da idade adulta, e especialmente nos animais mais velhos, pode ser recomendável aumentar a frequência das avaliações.
Conheça o seu furão
Esta pode parecer uma recomendação simples, mas é uma das mais importantes.
Saiba quanto pesa normalmente. Observe quanto come e bebe. Conheça os seus horários de sono, a forma como brinca, como se movimenta e como utiliza a caixa de areia.
Quando conhecemos bem um furão, conseguimos perceber pequenas alterações:
“Hoje não veio receber-me.”
“Hoje não quis brincar.”
“Está a dormir mais do que o habitual.”
“Parece estar a perder peso.”
“Está a mastigar de maneira diferente.”
Nenhuma destas alterações significa necessariamente que exista uma doença. Mas qualquer alteração persistente ou inexplicada merece atenção.
Brincar também é cuidar
Um furão não é um animal que deva passar a maior parte do dia fechado numa gaiola sem estímulos.
Precisa de oportunidades para correr, escavar, procurar, esconder-se, resolver pequenos problemas e interagir com outros furões ou com os seus tutores.
O enriquecimento ambiental não serve apenas para o divertir. Estimula comportamentos naturais e ajuda a combater o tédio e a inatividade.
E, claro, tudo isto deve acontecer num ambiente à prova de furão.
Cuidado com as obstruções intestinais
Os furões são famosos pela capacidade de encontrar e roubar objetos que nunca imaginaríamos que lhes interessassem.
Borracha, espuma, silicone, tecidos, esponjas, brinquedos degradados e outros materiais podem ser mastigados e engolidos. E o intestino do furão é muito estreito: tem a espessura de uma carga de esferográfica.
Uma obstrução intestinal pode ser uma emergência veterinária grave. Por isso, não basta perguntarmos “será que ele consegue chegar ali?”. Muitas vezes pensamos que não, mas podem conseguir. Assim, temos também de perguntar: “Se ele chegar ali, consegue destruir e engolir alguma coisa?”
Brinquedos e acessórios devem ser regularmente inspecionados e retirados quando começam a apresentar sinais de desgaste.
O calor pode ser perigoso
Os furões toleram temperaturas baixas muito melhor do que temperaturas elevadas.
O calor excessivo pode provocar golpe de calor, uma situação potencialmente fatal. Durante os meses quentes, é fundamental proporcionar um ambiente fresco, ventilado e protegido da exposição solar direta.
E a genética?
Por melhor que sejam os cuidados, existe um fator que não podemos ignorar: a genética.
Dois furões alimentados exatamente da mesma maneira e tratados com o mesmo cuidado podem ter vidas muito diferentes.
A origem, a diversidade genética e a seleção utilizada na criação podem influenciar a saúde dos animais e a sua predisposição para determinadas doenças.
É por isso que a criação responsável deve preocupar-se não apenas com a aparência, cor ou tamanho dos animais, mas também com saúde, longevidade, temperamento e qualidade genética das linhas de criação.
Afinal, o que podemos fazer?
Não existe uma fórmula que garanta que um furão viverá 10 anos.
Mas podemos oferecer-lhe as melhores condições possíveis: uma alimentação adequada, cuidados veterinários, segurança, exercício, enriquecimento, um ambiente confortável, companhia e atenção diária.
E talvez a regra mais importante seja esta: Não espere que o seu furão pareça doente para começar a cuidar da sua saúde.
Observe-o. Conheça-o. Pese-o. Brinque com ele. Esteja atento às pequenas mudanças. Porque o objetivo não é simplesmente conseguir que um furão viva mais anos, é conseguir que viva mais anos bons.
E é isso que realmente significa longevidade.
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